museu do meio ambiente

semana passada saiu o resultado do concurso para o projeto do Museu do Meio Ambiente, um dos mais interessantes dos últimos anos por aqui, tanto pelo programa quanto pela privilegiadíssima oportunidade de intervir no Jardim Botânico carioca.
o projeto vencedor é o do escritório mineiro arquitetos associados e me agrada bastante. de cara, foi difícil pra mim não reconhecer uma certa semelhança de partido com o belíssimo Museu da Memória e dos Direitos Humanos, em Santiago do Chile.
a despeito da sensível diferença de escalas, são ambos barras que se apóiam sutilmente em quatro pontos somente, coincidindo também a existência de um térreo rebaixado que configura uma praça coberta onde se localizam bilheteria e acessos.

- Museu da Memória e dos Direitos Humanos, Santiago - Chile. Estúdio América
(2006-10)

- projeto do museu do meio ambiente, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
as semelhanças não param por aí mas não é disso que quero tratar, sigamos. o que me agrada no projeto é o caráter contemporâneo que confere a um edifício de soluções simples e típicas do repertório da arquitetura brasileira.
se por um lado a estrutura não é protagonista, pelo contrário, está praticamente ilegível com os quatro pilares em que se apóia a edificação quase disfarçados junto aos taludes que conformam o térreo rebaixado, por outro a leveza resultante me fez lembrar o “é preciso fazer cantar o ponto de apoio”, que é do Auguste Perret mas que em São Paulo fez-se mandamento através de Vilanova Artigas.

eu me arriscaria até a ir mais longe e, ainda pensando no apoio do edifício no chão, dizer que algo no projeto do museu do meio ambiente remete-se, nem que só como uma piscadela, ao pavilhão brasileiro na feira mundial de Osaka (1970), de Paulo Mendes da Rocha. aqui, contudo, vou me limitar a colocar imagens e deixar para vocês as conclusões.

na conexão entre o edifício antigo e o volume anexo, me agrada muitíssimo a passarela a meio nível acima do chão que, embora acessível somente pelo interior dos edifícios, é um elemento leve e não representa um ruido no conjunto.
finalmente, fiquei intrigado pela implantação. por que o volume novo não acompanha a largura do edifício antigo? qual alinhamento se obedeceu, se algum? o do beiral? mas vendo dois outros projetos do concurso, ambos seguindo exatamente a mesma implantação e alinhamento, deduzo que tenha sido um requisito do edital.
paro por aqui, afinal este não é um espaço pra crítica arquitetônica. quem quiser saber mais sobre o projeto pode se informar no arqbacana e/ou no plataforma arquitectura.
no próximo post colocarei mais imagens do projeto. um abraço!
museu do meio ambiente

semana passada saiu o resultado do concurso para o projeto do Museu do Meio Ambiente, um dos mais interessantes dos últimos anos por aqui, tanto pelo programa quanto pela privilegiadíssima oportunidade de intervir no Jardim Botânico carioca.
o projeto vencedor é o do escritório mineiro arquitetos associados e me agrada bastante. de cara, foi difícil pra mim não reconhecer uma certa semelhança de partido com o belíssimo Museu da Memória e dos Direitos Humanos, em Santiago do Chile.
a despeito da sensível diferença de escalas, são ambos barras que se apóiam sutilmente em quatro pontos somente, coincidindo também a existência de um térreo rebaixado que configura uma praça coberta onde se localizam bilheteria e acessos.

- Museu da Memória e dos Direitos Humanos, Santiago - Chile. Estúdio América
(2006-10)

- projeto do museu do meio ambiente, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
as semelhanças não param por aí mas não é disso que quero tratar, sigamos. o que me agrada no projeto é o caráter contemporâneo que confere a um edifício de soluções simples e típicas do repertório da arquitetura brasileira.
se por um lado a estrutura não é protagonista, pelo contrário, está praticamente ilegível com os quatro pilares em que se apóia a edificação quase disfarçados junto aos taludes que conformam o térreo rebaixado, por outro a leveza resultante me fez lembrar o “é preciso fazer cantar o ponto de apoio”, que é do Auguste Perret mas que em São Paulo fez-se mandamento através de Vilanova Artigas.

eu me arriscaria até a ir mais longe e, ainda pensando no apoio do edifício no chão, dizer que algo no projeto do museu do meio ambiente remete-se, nem que só como uma piscadela, ao pavilhão brasileiro na feira mundial de Osaka (1970), de Paulo Mendes da Rocha. aqui, contudo, vou me limitar a colocar imagens e deixar para vocês as conclusões.

na conexão entre o edifício antigo e o volume anexo, me agrada muitíssimo a passarela a meio nível acima do chão que, embora acessível somente pelo interior dos edifícios, é um elemento leve e não representa um ruido no conjunto.
finalmente, fiquei intrigado pela implantação. por que o volume novo não acompanha a largura do edifício antigo? qual alinhamento se obedeceu, se algum? o do beiral? mas vendo dois outros projetos do concurso, ambos seguindo exatamente a mesma implantação e alinhamento, deduzo que tenha sido um requisito do edital.
paro por aqui, afinal este não é um espaço pra crítica arquitetônica. quem quiser saber mais sobre o projeto pode se informar no arqbacana e/ou no plataforma arquitectura.
no próximo post colocarei mais imagens do projeto. um abraço!
Posted 2 years ago 1 note
Notes:
-
lessisquiteenough posted this